Dia
das Mulheres – Crônica
“Quem é esta que aparece como a
alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um
exército com bandeiras?”
Cantares 6.10
Sim, perguntamos nós, deslumbrados ante a visão da
adjutora que nos corresponde, como Adão o fez ao ser apresentado a Eva. Quem é
esta que nos completa e sem a qual nos tornamos sós, ainda que rodeados de
almas viventes? Passeamos os olhos pelas Escrituras e vemo-la, heróica e terna,
a nos alegrar a existência, bálsamo que nos mitiga as dores.
Na peregrinação do patriarca é a companheira formosa
que Abraão chama de princesa, é Sara, a mãe da nação santa. Para Isaque é a
moça gentil que aplacou a sede de Eliezer e seus camelos, confirmando a escolha
divina. A Jacó, homem laborioso, é o prêmio que fazia seus anos de trabalho
parecerem poucos dias pelo muito que a amava; é Raquel, formosa e paciente. No
Egito, sob a ameaça do tirano, é Joquebede, protetora d e sábia, a encaminhar o
pequeno Moisés sob o olhar de Jeová. É Miriã, profetizando e cantando,
liderando as mais jovens na exaltação ao Deus que abrira o mar.
Nos Juízes vemos a figura da profetisa, Débora, mãe
em Israel, a instruir o guerreiro de mão forte, que sem ela não ousava entrar
em batalha. Ali vemos outra faceta da mulher, a lutadora que executa o inimigo
do povo de Deus com martelo e estaca, é Jael, sábia e discreta no cumprimento
da sentença de Sísera. É ainda a doce Noemi, amargurada e aflita, vendo sua
esperança reverdecer com a ajuda da submissa e fiel Rute. É Ana ofertando a Deus
o fruto dos lábios e do ventre, é Abigail apaziguando a fúria dos guerreiros, é
Abisague aquecendo o monarca enfermo, é a anônima viúva obedecendo ao profeta,
é a sunamita hospitaleira acolhendo Eliseu.
Ao folhear o Livro Sagrado só temos motivos para
honrar essa personagem que enche nossos dias de ternura e amor. É à mulher,
sofrida nas dores da conceição, mas alegre na apresentação dos filhos, que
homenageamos com gratidão, relembrando pessoas como a obediente Maria e as
Sábias Lóide e Eunice, exemplos de virtude e graça. Trazendo sobretudo à
memória aquelas mártires que, num distante 08 de março, morreram de forma brutal
ao lutar por seus direitos.
Para estas e tantas outras, ofertamos as flores da
nossa gratidão, dependentes que somos, sem contudo conseguirmos expressar o que
elas merecem. A vós todas, mulheres, nossos sinceros parabéns pelo seu dia.
Feliz Dia das Mulheres.
NARRAÇÃO : PROFº MARCELO QUIRINO